segunda-feira, 20 de maio de 2019

Crescimento em baixa e desemprego em alta

Pela décima segunda semana seguida as expectativas de mercado, publicadas pelo Banco Central do Brasil (BACEN), aponta uma queda nas expectativas quanto ao crescimento da economia brasileira. Na semana de 13 a 17 de maio deste ano os analistas do mercado financeiro apresentaram uma mediana de expectativa do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para o ano de 2019 de ínfimos 1,24%.

Na semana que antecedeu a eleição em segundo turno do agora presidente da República, Jair Bolsonaro, a expectativa do mercado era de que o PIB iria crescer 2,5% ao ano, de 2019 a 2022.

No período que antecedeu a posse a expectativa do crescimento do PIB para 2019 chegou a 2,53%, em 31 de dezembro de 2018. Continuou crescendo nos primeiros dias do novo governo e atingiu 2,60% para 2019, em 17 de janeiro.

À partir desta data o mercado começou a revisar suas expectativas para baixo com a demora no posicionamento firme do presidente Bolsonaro em defesa de um ajuste fiscal necessário para equilibrar as contas públicas.

Agora, as expectativas para o crescimento de 2019 estão em 1,24% com tendência de queda. Com isto, o problema do desemprego se agrava.

Sem uma demonstração mais firme e efetiva do governo sobre suas reais intenções de propor reformas para reduzir o déficit fiscal não teremos boas expectativas sobre a retomada do crescimento de forma sustentável, com o consequente aumento dos níveis de emprego e renda.

Está nas mãos de Bolsonaro e de seus asseclas. Só espero que não demorem muito. Caso contrário, economicamente falando, 2019 já estará perdido.

domingo, 19 de maio de 2019

Barco dos tolos

Parece difícil acreditar no que está acontecendo em nosso país. Nossa sociedade continua polarizada e defendendo, de forma extremada, pontos de vistas políticos totalmente antagônicos. Isto pode até ser considerado normal e sendo parte de um processo democrático se não estivéssemos presenciando a intolerância extremada.

Basta fazer um comentário ou uma crítica, mesmo que construtiva, sobre as decisões e ações do governo federal que já começam os ataques absurdos de militantes, na maioria das vezes virtuais, defendendo as posições do presidente e atacando impiedosamente quem efetuar qualquer tipo de comentário sobre a real situação econômica e social de nosso país.

Como na poesia de Fernando Pessoa, “navegar é preciso”. Por isto temos que exercitar a virtude da tolerância e tentar debater, com serenidade, as questões nevrálgicas que assolam o nosso país. Assim, podemos usar a frase atribuída a William Shakespeare: “quando o mar está calmo, qualquer barco navega bem”.

Pois bem, o mar não está calmo. Os ânimos estão acirrados e uma boa parte da população brasileira está utilizando uma espécie de “venda de olho”, ou seja, não estão querendo enxergar a realidade atual. Temos, infiltrados nos polos de debates políticos, pessoas com pensamentos similares a neonazistas e neocomunistas se engalfinhando para defender suas posições extremistas. Mais uma vez temos que lembrar do discípulo do filósofo grego Platão (aluno mais destacado de Sócrates), Aristóteles. Segundo ele, a virtude é o meio, o equilíbrio entre o excesso e a falta. Em outras palavras: o equilíbrio está no meio.

Como dizia o poeta: “navegar é preciso, viver não é preciso”. Portanto, precisamos discutir os problemas existentes e efetuar a crítica sobre a inércia do governo federal. Daí vem o pessoal do “mimimi” atacando e dizendo que o governo começou há pouco mais de quatro meses e que não deu tempo de fazer nada para melhorar. Mas, como podemos ver o governo está conseguindo fazer algumas coisas para piorar.

Em novembro de 2018, neste mesmo espaço, foi comentado sobre a “agenda dos eleitos”. Na oportunidade se afirmou que os eleitos deveriam estruturar seus mandatos. Porém, o que tudo indica é que isto ainda não foi feito. Qual é o projeto que o governo federal tem para o país? Isto ainda não está claro. Qual o projeto que o governo federal tem para a educação pública? Até agora não apresentaram nada de concreto.

Quando falamos da agenda dos eleitos nada mais fizemos do que elencar as primeiras preocupações que a equipe que governará o país pelos próximos quatro anos deveria priorizar. A principal é efetuar o ajuste fiscal necessário para equilibrar as contas públicas, revertendo o crescimento da dívida pública e eliminando o déficit primário persistente. Uma tarefa hercúlea.

Outras tarefas importantes seriam a definição sobre o subsídio do diesel, a tomada de medidas para cumprimento do “teto dos gastos”, a definição de nova regra para reajuste do salário mínimo e o enfrentamento da pressão por reajustes salariais do funcionalismo público federal. “Tudo como dantes no quartel de Abrantes”.

Se a sociedade brasileira não começar a cobrar o debate sério e pontual das questões econômicas e sociais relevantes, deixando de discutir questões periféricas, os problemas conjunturais se tornarão problemas estruturais. Como disse o poeta: “viver não é necessário; o que é necessário é criar”. Se não criarmos e fomentarmos o debate saudável das questões aqui elencadas, continuaremos fazendo o “jogo” que nossos políticos querem que façamos. Continuaremos navegando. Porém, estaremos navegando no barco dos tolos.

domingo, 12 de maio de 2019

O jovem e o desalento


Quem é pai ou mãe deve ter uma profunda preocupação acerca do futuro de seus filhos. Costuma-se dizer que cada um tenta dar ou deixar para os seus filhos um pouco mais do que receberam. É natural que isto ocorra.

Dentre as inúmeras preocupações que os pais e mães possuem para com seus filhos é o de garantir uma formação profissional para que eles tenham oportunidades de emprego e renda que possa lhes garantir certo padrão de qualidade de vida.

Entretanto, como tendência mundial há um grande volume de jovens desempregados. As causas são muitas: baixo nível de escolaridade e qualificação, ausência de experiência profissional, desinteresse em desenvolver atividades laborais, dentre outros.

Há uma crise de emprego no país e chegamos a um ponto em que uma formação superior não é mais garantia de uma boa colocação no mercado de trabalho. Há um grande número de pessoas com formação superior atuando em áreas diversas das de suas respectivas formação acadêmica, justamente porque o mercado de trabalho nacional não está dando conta de absorver toda a massa de desempregados que aumenta a cada ano.

Para ilustrar com uma análise mais regionalizada vamos considerar o que ocorre nos municípios da microrregião de Apucarana, que abrange nove municípios: Apucarana, Arapongas, Califórnia, Cambira, Marilândia do Sul, Mauá da Serra, Novo Itacolomi e Sabáudia.

Do ano de 1995 a 2003 tivemos o registro de 38.390 nascidos vivos, o que pode representar o contingente de jovens na faixa etária dos 17 aos 24 anos de idade, sem considerar os processos migratórios. Deste total de jovens somente 42,1% estão empregados no mercado formal. Dentre os municípios da região o que apresenta a menor incidência de jovens nesta faixa etária empregados é o município de Marilândia do Sul onde somente 12,5% dos jovens possuem emprego formal. No outro extremo temos o município de Sabáudia que possui 773 jovens com emprego formal, o que representa 112,5% de jovens empregados em relação ao número de nascimentos para a faixa etária.

Estes números podem ser explicados tanto pela característica de alguns municípios de serem essencialmente agrícolas e seus jovens podem estar ocupados nas atividades da agricultura, bem como, no caso de Sabáudia, por ser destino de migração regional de mão-de-obra por conta das atividades econômicas predominantes na localidade.

Para demonstrar a situação de agravamento do desemprego de jovens na região temos que no ano de 2010 do total de empregos formais na microrregião cerca de 23% eram ocupados por jovens de até 24 anos. Esta participação relativa caiu para 16,7% no ano de 2017, demonstrando a ausência de oportunidades de empregos para nossos jovens. No ano de 2018 esta relação aumentou um pouco e atingiu 19,1%.

Podemos afirmar, de forma inequívoca, que há uma crise de emprego no país, nos estados e nos municípios. Esta crise se torna ainda mais grave quando voltamos a análise do desemprego para os nossos jovens. E para agravar ainda mais a situação não temos notícias de que os agentes políticos estejam pelo menos debatendo tal assunto.

O que sabemos é que os jovens a partir dos 16 anos já podem votar e ajudar a eleger os ocupantes de cargos eletivos e, por conta disto, são assediados pelos candidatos em épocas de eleições e o futuro dos jovens passa a ocupar boa parte dos discursos destes políticos. Já passou da hora do futuro dos nossos jovens sair do discurso dos nossos políticos e passar a ser debatido e inserido nas propostas de políticas públicas, caso contrário o futuro que os aguarda será o desalento. Que o debate comece pelos vereadores de nossa região.

domingo, 5 de maio de 2019

Onde está o debate?

A economia brasileira está passando por uma nova crise de emprego. A crise de emprego é caracterizada pela baixa oferta de ocupação que, com o aumento da população em idade economicamente ativa, aumenta os níveis de desemprego. Podemos afirmar, sem medo de errar, que o desemprego está assombrando os brasileiros.

Por mais que os governos municipais, estaduais e federal façam divulgações de que as coisas estão melhorando a verdade é uma só: estes governos nada estão fazendo para tentar resolver ou minimizar os efeitos da crise existente. E pior, os respectivos legislativos, que possuem a função de fiscalizar as ações dos respectivos executivos, também estão silenciados. É como se o desemprego não fosse um problema econômico e social relevante e como se eles não precisassem ou não devessem fazer algo para combater o problema.

O desemprego é sentido diretamente nos municípios onde as pessoas moram e, para agravar ainda mais a temática, o assunto não está sendo objeto de debate em nenhum local. Não se debate no legislativo municipal. Aliás, quase nada é debatido de forma profunda nos legislativos municipais que possa vir a ajudar a resolver os problemas sociais das respectivas localidades.

Embora atinja a todos, vamos ilustrar o problema que a situação atual causa para os nossos jovens que estão entrando em idade economicamente ativa e que passam a demandar uma ocupação no mercado de trabalho. No município de Apucarana temos uma ocorrência média anual em torno de 1.700 nascidos vivos. Estas pessoas que nascem irão, no futuro, demandar um emprego.

É claro que nem todos irão querer ou precisar trabalhar, mas se somente metade deles demandarem uma ocupação já teremos um problema, pois nos últimos doze meses o mercado de trabalho local fechou postos de trabalho, ou seja, demitiu mais do que admitiu.

Embora os governos gostem de divulgar com pompas as vagas de empregos existentes nas agências de empregos como uma notícia positiva, as vagas ofertadas são muito poucas para dar cobertura ao contingente existente de pessoas desempregadas.

E para piorar, podemos verificar que muitas das vagas anunciadas se mantêm sem preenchimento por mais de um dia. Oras bolas, se temos tanto desemprego quando aparece uma vaga seria esperado que a mesma fosse preenchida imediatamente. Mas não é isto que acontece. Daí tem-se que abordar o outro lado da crise, que é a crise de formação da mão-de-obra local.

Há uma má alocação da qualificação da mão-de-obra como a anunciada pelo economista e filósofo austríaco Friedrich August von Hayek em sua obra “Desemprego e Política Monetária”. Isto pode estar ocorrendo em muitas localidades onde as pessoas não possuem a formação adequada para os empregos que surgem. Outra razão para a falta de qualificação é o desinteresse de alguns trabalhadores em se qualificarem.

O mesmo evento se repete por outros municípios do estado do Paraná e nos outros estados. No agregado temos que o problema do desemprego se repete por todo o território nacional. E quais são as ações de nossos agentes políticos para a solução disto? Não se vê nada. Até porque não estão fazendo nada.

O debate do desemprego deveria estar sendo travado em todos os locais, mas os espaços dos legislativos municipais deveriam ser o mais recorrentes nos debates sociais, porém isto não acontece. Não se sabe nem se nos sindicatos a temática é abordada como uma questão de política pública. E nas universidades? O desemprego está sendo debatido? Espaços para o debate existem, o que estão faltando são pessoas para participarem dele. Assim caminha a humanidade brasileira.

domingo, 28 de abril de 2019

E o emprego?

A população brasileira já ultrapassou, segundo estimativas do IBGE, a marca de 209 milhões e 832 mil habitantes no mês de abril de 2019. De acordo com o Censo do mesmo instituto, em 1991 éramos 146 milhões 815 mil habitantes. De 1991 a 2018, tivemos uma taxa de crescimento demográfico elevada, comparada às taxas observadas nos países desenvolvidos, e moderada, comparada às taxas dos países em desenvolvimento.

Se fizermos uma análise mais desagregada do crescimento populacional e da geração de emprego formal brasileiro das últimas décadas podemos ter uma noção dos problemas gigantescos que nosso país está enfrentando e que ainda irá enfrentar no campo da geração de emprego e renda.

Estas informações podem e devem ser consideradas por ocasião do debate da necessidade (ou não) da reforma da Previdência e as razões para isto. Na década de 2000 a população brasileira cresceu a uma taxa anual de 1,63%. Na década de 2010 a taxa foi de 1,17% ao ano e no período de 2010 a 2018 a população vem crescendo 1,12% ao ano, considerando as estimativas populacionais do IBGE.

Já o emprego formal, segundo dados do Relatório Anual de Informações Sociais (RAIS) da Secretaria do Trabalho do Ministério da Economia, cresceu 1,46% ao ano na década de 2000, 5,33% ao ano na década de 2010 e no período de 2010 a 2018 cresceu 0,76% ao ano.

Embora nossa economia tenha aproveitado a onda de crescimento que ocorreu no mundo todo no período de 2001 a 2010, os desempenhos do emprego formal vêm sendo fracos se comparados com o crescimento populacional. E este problema ainda possui um “efeito retardado”, uma vez que os indivíduos que nascem em determinado ano ainda irão demorar cerca de vinte anos para demandarem um emprego formal na economia.

Daí é que nos perguntamos: onde está ou onde estará o emprego formal para os nossos atuais jovens e para os nossos futuros jovens que ainda nem nasceram?

A expectativa de vida dos brasileiros aumentou muito e com isto estamos vivendo mais tempo e, consequentemente, o contingente de pessoas idosas está aumentando e com a tendência de aumentar ainda mais. Com isto passaremos a ter mais idosos do que jovens. Este efeito é conhecido como transição demográfica e os países europeus já passaram por isto e aqui estamos somente no começo.

Será que nossos agentes políticos estão preocupados com o futuro de nosso país? Será que eles estão preocupados com os nossos idosos? Será que estão preocupados com os futuros idosos? Será que estão preocupados com o futuro de nossos jovens? Será que estão preocupados com o futuro daqueles que ainda irão nascer?

Estas perguntas não devem ser tratadas como perguntas retóricas. Elas devem ser respondidas. Mais ainda, não devemos fazê-las somente para nossos agentes políticos que possuam cargos em nível federal. Temos que fazê-las para todos aqueles que possuam cargos políticos estaduais e municipais. Qual é o nível de conhecimento e de preocupação com o crescimento populacional do estado e dos municípios e com a geração de emprego? E o que estão fazendo para dar qualidade de vida para os idosos?

Temos que ousar fazer estas perguntas. Não podemos nos omitir. Temos que exigir de nossos vereadores, prefeitos, deputados e governador o debate acerca destas questões. Será que eles têm estes dados? Será que eles possuem um projeto para melhorar a nossa situação de emprego e renda? Espero que sim, mas duvido muito.

A sociedade local e estadual deve começar a se preocupar com estes problemas e cobrar de nossos agentes políticos locais porque se depender da pró-atividade deles para este assunto nosso futuro poderá ser tenebroso.

domingo, 21 de abril de 2019

Feitiço do tempo

Os recentes episódios envolvendo a censura imposta a reportagens da revista “Crusoé” e do site “O Antagonista” por parte do ministro do STF Alexandre de Moraes tinha o objetivo de impedir a veiculação de notícias sobre o presidente daquela corte, ministro Dias Toffoli. Pode parecer um episódio inusitado na história recente de nossa república. Só que não.

Realmente tais medidas ferem frontalmente, e de morte, o texto constitucional que garante a liberdade de opinião e a liberdade de imprensa. Tais eventos estão sendo considerados análogos aos existentes no período do regime militar onde a censura estava institucionalizada e havia um grande cerceamento das liberdades de opinião através das leis que estabeleciam os crimes contra a segurança nacional.

Nesta linha de pensamento o ex-ministro do STJ, Gilson Dipp, em entrevista a emissora de rádio criticou a atitude dos ministros do STF e disse que eles conseguiram ressuscitar a Lei de Segurança Nacional para utilizar em defesa própria. Esta lei surge no período ditatorial e foi utilizada para defesa de interesses do ministro Dias Toffoli.

De acordo com a opinião de Dipp, a Constituição Federal está em risco, e as razões para isto se dá tanto pelas ações do STF quanto pelas ações de diversos agentes políticos nacionais.

É um grande engano acreditarmos que estávamos livres da censura. Ela sempre existiu de forma vigorosa em nossa sociedade. Tanto a censura como a autocensura estão tão vivas nos dias atuais quanto no passado mais remoto ou mesmo no período de exceção que nosso país vivenciou.

Há censura, sim, em nosso país. Em algumas regiões de forma mais evidente que em outras, mas que ela existe, existe.

Não estou falando de nada institucionalizado e formalizado, mas de comportamentos que foram desenvolvidos e são passados de geração para geração através da criação de usos e costumes e da auto-repreensão sobre os atos que possam ser praticados.

No período do coronelismo ninguém se aventurava a criticar as decisões e falas dos coronéis. Não havia nenhuma lei que estabelecia esta soberania, ela era imposta pelo medo. Assim acontece nos morros do Rio de Janeiro e nas favelas paulistanas. Também acontece em diversos bairros de muitas cidades pelo Brasil afora.

Chega-se ao ponto de, em alguns lugares, não poder fazer nenhuma crítica de políticos com mando eletivo porque eles mantem a exclusividade dos canais de comunicação e nada contra eles é propagado, mesmo que seja verdade.

Nas redes sociais quem se aventura a efetuar o contraponto nas opiniões é massacrado por grupos organizados (ou não) que divergem e tentam desqualificar o agente que esteja opinando. Até nas escolas e universidades isto acontece.

No serviço público existe a chamada responsabilidade administrativa onde o agente público que tiver notícia de qualquer irregularidade é obrigado a denunciar a mesma, caso contrário pode ser considerado omisso ou mesmo conivente com a irregularidade. É dever de todo funcionário público levar ao conhecimento da autoridade superior irregularidade de que tiver ciência em razão do cargo. Mas o que acontece? Eles ficam quietos com medo de represálias dos seus superiores.

O patrulhamento ideológico e moral é fato constante no dia-a-dia do brasileiro. Portanto, não podemos afirmar que a censura não existia. Ela sempre existiu, de forma velada e silenciosa, nas diversas instituições e, como no filme “O feitiço do tempo”, vivemos e revivemos constantemente tais episódios até que tenhamos coragem de mudar nossas atitudes e afrontar os agentes repressores que ainda persistem em existir em nossa sociedade nos tempos atuais.

domingo, 14 de abril de 2019

A sombra da assombração

O governo federal continua sem apresentar propostas efetivas para melhorar a conjuntura econômica de curto prazo. Não há, pelo menos de forma pública, propostas para o combate à inflação, retomada do crescimento econômico e redução do desemprego descoladas da proposta de redução do déficit fiscal cuja principal proposta é a reforma da Previdência.

A inflação deu um salto no mês de março e fechou em 0,75% enquanto a mediana das expectativas do mercado apontava para 0,55%. É a maior alta da inflação para o mês de março desde o ano de 2015 e recentemente tivemos a divulgação do aumento do desemprego. O que se espera da discussão da reforma da Previdência proposta é de que ela será desidratada e não será aprovada nos termos esperados pela equipe econômica do governo. Com isto a economia para os próximos dez anos não será suficiente para garantir a condição de solvência da economia brasileira.

Com este cenário prospectivo tenebroso não se espera nenhuma melhora significativa no crescimento econômico. Não há sequer as expectativas de “espasmos” de crescimento e nem de “voos de galinha”.

E o pior de tudo é que muitas pessoas defendem a letargia do governo federal com relação as decisões econômicas alegando que “acabaram de assumir”, que “temos que dar mais tempo para o governo” e dizendo para “deixarem o homem trabalhar”. Esta última, inclusive foi o título do jingle da campanha presidencial de Lula nas eleições de 2006. Mas o Brasil está deixando o Presidente trabalhar. Ele ainda goza de prestígio e de uma enorme militância virtual que sobrepõem qualquer crítica que surja contra o governo. Mas até quando será que a militância virtual irá aguentar defender o governo?

As expectativas com relação à inflação é de que ela será um pouco maior neste ano, fechando em torno de 3,9%, e que se manterá nos níveis de 4% para os próximos três anos. A mesma tendência ocorre com as expectativas de crescimento do PIB: 1,97% para 2019 e 2,5% para os próximos três anos. O pior é que as expectativas sobre a Dívida Líquida do Setor Público são de aumentos significativos indicando que atingirá o equivalente a 60,9% do PIB no ano de 2022 contra os 56% atuais.

Se a equipe econômica do governo é liberal deve observar os ensinamentos do economista austríaco Friedrich August von Hayek que, em sua obra intitulada “Desemprego e Política Monetária”, apresenta o que os seus seguidores chamam de a “verdadeira teoria do desemprego”. Nela o autor afirma que o desemprego é causado por um viés do equilíbrio entre preços e salários e que o equilíbrio no mercado de trabalho somente pode existir num mercado livre quando o volume de dinheiro em poder do público é estável, podendo alterar somente a partir do crescimento real do PIB do país.

Pois bem, o desemprego está aumentando e a inflação está persistente. E o que o governo está fazendo para resolver este problema? Os militantes virtuais e reais podem elencar dezenas de coisas que foram feitas e decisões que foram tomadas, porém nenhuma delas dá solução para estes problemas. Se forem seguir os preceitos liberais estão fazendo o contrário. O volume médio de dinheiro em poder do público aumentou 6,4% nos primeiros meses de 2019 em relação ao mesmo período de 2018 e 4,3% comparados com a média dos dias úteis do ano passado inteiro.

Com estas ações a inflação persistirá e, segundo os próprios pensadores liberais hayekianos, o desemprego poderá aumentar num futuro próximo. Por enquanto estamos vendo somente a sombra, mas temos que cuidar para que não vejamos, novamente, a assombração de uma nova crise econômica.