domingo, 27 de maio de 2018

Desacorrentando Prometeu


A sociedade brasileira precisa ter o seu Prometeu. Segundo a mitologia grega, Prometeu foi um titã que ajudou a humanidade ao perceber que após a criação do homem ainda lhe faltava algo, o conhecimento, que é representado pelo fogo de Zeus, o deus dos deuses. Assim ele o roubou de Zeus e ofereceu aos seres humanos.

Zeus se vingou de Prometeu determinando que o acorrentassem numa pedra onde, diariamente, uma águia vinha lhe comer o fígado, que se regenerava e este processo se repetiria pela eternidade.

A sociedade brasileira está sendo oprimida pela incompetência, irresponsabilidade e individualidade dos agentes políticos. A crise econômica, causada pelo desajuste fiscal dos governos, e a crise política poderiam ser evitadas se os gestores públicos agissem com mais ética e representassem, verdadeiramente, os desejos da população. Mas na prática sempre agiram de acordo com suas conveniências e interesses deles e de grupos de apoio, que não representam o conjunto da sociedade.

A paralisação nacional do setor de transportes, independentemente do debate acerca de ser ou não um locaute, reproduz a insatisfação de todos com a forma com que os políticos tratam a coisa pública há muito tempo.

Foi preciso uma ação enérgica de um conjunto da sociedade às vésperas de uma eleição para que os políticos pudessem “se mexer” e buscar alternativas para redução do preço dos combustíveis. E é uma reivindicação factível, pois o preço dos combustíveis refletem nos preços de todos os produtos e serviços e massacra o brasileiro comum que tem o seu poder aquisitivo corroído pelas altas dos preços de produtos essenciais.

Como num passe de mágica o governo aparece com alternativas para abrandar os impactos da paralisação e indica alternativas para convencer os trabalhadores em transporte a se desmobilizarem. Mas não podemos deixar de enxergar as propostas e os movimentos de nossos políticos com as lentes da verdade. A Petrobrás aceitou dar um desconto de 10% no diesel nas refinarias por 15 dias e o governo financiará o desconto por mais 15 dias. E depois dos 30 dias? O diesel volta aos preços de hoje?

Também foi acordado reduzir a zero a alíquota da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE) para o ano de 2018. E em janeiro de 2019 ela voltará?

Os preços dos combustíveis passarão a ter reajustes de mercado mensalmente ao invés de diariamente, mas continuarão sendo reajustados. Porém o governo federal se comprometeu a efetuar compensações financeiras à Petrobrás para garantir a sua autonomia, mas esta compensação sairá dos impostos que a sociedade paga para receber serviços públicos, que por sua vez serão reduzidos para compensar os lucros da Petrobrás.

A impressão que nos dá é de que o governo federal e os políticos estão organizando uma “operação abafa” para esfriar as manifestações e insatisfações da sociedade para com as suas formas de atuação. Só que estas mudanças não são perenes. Elas deixarão de ter num futuro próximo os seus efeitos práticos do momento, passando a ser meramente psicológicos. Precisamos de mudanças robustas, efetivas e sustentáveis, não paliativas.

O gigante que estava adormecido e recentemente acordou agora tem que agir com conhecimento, de forma esclarecida e consciente. Precisamos desacorrentar o Prometeu para que ele distribua o fogo de Zeus a todos os brasileiros que irão votar neste ano.

Temos que nos libertar desta penedia e deixar de ficar expostos à fúria das tempestades das vontades de nossos políticos. Eles que devem estar expostos à vontade do povo. Os caminhoneiros estão certos, a eles nosso apoio e solidariedade.


domingo, 20 de maio de 2018

Buscando votos


Ao que tudo indica teremos um ano de 2018 ruim. O comportamento recente dos indicadores econômicos está deixando os analistas do mercado financeiro muito preocupados. O dólar disparou, a bolsa está instável e a expectativa de queda dos juros foi por “água abaixo” com o resultado do desempenho da economia americana.

E saber que tudo isto poderia ter sido evitado só com um pouco mais de responsabilidade. Isto mesmo, com mais responsabilidade. Em 2007 o mundo entrou numa crise profunda causada pelo sistema de crédito da economia americana. No Brasil esta crise chegou mais amena por conta dos fundamentos de nossa economia que se encontravam em condições sólidas.

A partir do ano de 2014 a condução da política econômica foi feita de forma destrambelhada, irresponsável, e todas as conquistas e avanços obtidos até então se diluíram. Como resultado tivemos recessão, aumento do desemprego e o empobrecimento de muitas famílias.

Com a mudança recente de governo muitas pessoas acreditaram que as coisas iriam melhorar. Só que não. Mais uma vez os interesses particulares, privados, se sobrepuseram aos coletivos e o governo não conseguiu efetuar as reformas necessárias para melhorar o ambiente econômico e competitivo. E as poucas reformas que foram aprovadas foram retalhadas no processo de negociação com os diversos grupos de interesses e, mais uma vez, não se apresentaram eficientes.

Agora a economia brasileira já está dando sinais de que não irá crescer o previsto e necessário, a cotação da moeda americana está disparando e a bolsa de valores caindo, o que poderá refletir numa possível pressão inflacionária e manutenção dos níveis de desemprego.

E não há nada que possamos esperar de solução por parte do atual governo. O que nos resta é que o próximo governo, que irá assumir em 2019, tenha propostas, credibilidade e competência para poder conduzir com eficiência e responsabilidade a economia brasileira. Por isto é importante que todos os eleitores brasileiros tenham consciência de efetuar suas escolhas analisando as propostas dos candidatos que sejam factíveis, que possam ser executadas, sem se deixar encantar por promessas mirabolantes e por discursos de “salvadores da pátria”, até porque eles não existem.

No atual cenário econômico todos os estados e a União passaram três anos indicando que as receitas não eram suficientes para cobrir todas as despesas e que não haviam recursos disponíveis para pagamento de dívidas. Alguns estados e municípios estão atrasando salários do funcionalismo, o nível de investimento caiu, e a qualidade dos serviços públicos estão bem aquém do esperado pela sociedade. É nítida a realidade que temos à nossa frente.

Só que em ano eleitoral as coisas se tornam surreais. É o ciclo político tradicional: os governantes ficam os três primeiros anos do mandato atuando com austeridade e no último ano, como num passe de mágica, o dinheiro “aparece” e os estados e a união começam a “ferver” em obras e os gestores distribuem recursos, autorizam contratações de funcionários e criam novas despesas. Até aumento salarial eles dão.

Os partidos políticos e os políticos têm como objetivo a maximização de votos. Eles não buscam ganhar as eleições para formularem políticas para a sociedade, eles formulam políticas para ganhar as eleições. Por isto é importante questionar os candidatos sobre suas propostas de trabalho e quando eleitos cobrarem a sua execução. Já foi o tempo em que os políticos faziam e desfaziam dos eleitores. Os tempos mudaram, por isto o comportamento dos eleitores também tem que mudar.

sábado, 19 de maio de 2018

A volta do emprego?


O governo federal comemora, de forma entusiasmada, os resultados preliminares da geração de empregos no mês de abril de 2018. De acordo com os resultados do Cadastro Geral de Emprego e Desemprego (CAGED) do Ministério do Trabalho o saldo de empregos líquidos gerados no mês de abril foi de 115.898 postos de trabalho. Foram 1.305.225 novas contratações contra 1.189.327 desligamentos. 

É o melhor desempenho da geração de emprego para o mês de abril desde o ano de 2013, quando foram gerados 196.913 novos postos de trabalho. Mas também temos que lembrar que antes das políticas econômicas irresponsáveis do governo Dilma nossa economia gerava muito mais emprego: em abril de 2010, por exemplo, foram gerados 305.068 novos empregos.

O volume de empregos líquidos gerados no primeiro quadrimestre de 2018 foi de 311.059 novos postos de trabalho. Um sinal de que a economia está começando a reagir, embora timidamente.


É o melhor resultado dos últimos três anos, embora antes do furacão Dilma o país gerava cerca de 1 milhão de novos empregos no primeiro quadrimestre de cada ano.

A economia brasileira não irá crescer os 3% que o governo esperava, deverá ficar em torno de 1,9% por conta do cenário econômico atual, mas também dependerá muito das respostas de política econômica que o governo Temer elaborar para enfrentar os eventos recentes da disparada da cotação do dólar e da possível elevação dos juros nos Estados Unidos.

Mas já estamos começando a ver uma luz no fim do túnel.

quarta-feira, 16 de maio de 2018

Uma breve análise

A semana está agitada com os resultados econômicos que estão sendo divulgados. A produção chinesa subiu acima do previsto no mês de abril, porém o consumo interno começa a demonstrar que está perdendo o vigor: as vendas no varejo cresceram 9,4% em abril ficando abaixo do desempenho de março, que foi de 10,1%. Esses indicadores indicam que a economia chinesa está começando a perder sua força.

Já, no Brasil, o setor de serviços teve um desempenho negativo no mês de março apresentando um desempenho de -0,2%. No acumulado dos últimos 12 meses (de abril de 2017 a março de 2018) o setor de serviços acumulou um resultado de -2,0%.

A prévia do PIB brasileiro para o mês de março apresentou uma redução de 0,74% em comparação com o mês anterior, segundo o IBC-BR divulgado pelo Banco Central do Brasil (BACEN). O primeiro trimestre de 2018, na comparação com o último trimestre de 2017, apresenta uma previsão de redução de 0,13%. Os dados oficiais sobre o desempenho do PIB no primeiro trimestre serão divulgados no dia 30 de maio.

Contrastando com isto o Banco Central Americano (FED) divulgou o resultado da produção industrial dos Estados Unidos: crescimento de 0,7% no mês de abril, acumulando um crescimento de 3,5% no acumulado de 12 meses. Junto com este dado foi divulgado que a utilização da capacidade instalada da indústria americana ficou em 78% em março, segundo maior índice dos últimos 12 meses.

A economia japonesa apresentou um retração no PIB no primeiro trimestre de 2018 de 0,2% após dois anos de crescimento. A esperança das autoridades econômicas japonesas é de que o economia se recupere a partir do segundo trimestre puxado pela economia global e pelo aumento das exportações de produtos manufaturados.

O atual momento da conjuntura econômica internacional está agitando o mercado financeiro e a decisão do Copom acerca da taxa de juros básica da economia, a Selic, poderá provocar um aumento na cotação da moeda americana que, juntamente com o aumento do consumo, ajudará a pressionar os preços para cima, aumentando a previsão de inflação para o ano de 2018.

Portanto o que os brasileiros podem esperar é um pouco mais de inflação com menos crescimento econômico e mais desemprego. Vamos aguardar as decisões de política econômica que o governo irá implementar para tentar amenizar este cenário adverso para os brasileiros.

terça-feira, 15 de maio de 2018

De onde vem o tiro


Muitas pessoas dizem que o poder corrompe. Há um adágio popular que diz que “se quiser conhecer uma pessoa, dê poder a ela”. Pois bem, isto é verdade. Nos ambientes tidos como democráticos a ascensão ao poder é feita, na maioria das vezes, mediante processo eletivo onde aqueles que pleiteiam posições de comando se submetem à uma espécie de consulta pública.

Para comandar uma associação, um clube, uma universidade, um município, um estado ou uma nação a escolha dos líderes é feita mediante eleição. Até mesmo numa sala de aulas para se definir o líder ou o representante da turma é feita uma votação.

O problema não é o formato do processo de escolha, mas o comportamento das pessoas que se candidatam. A partir do momento que se colocam como candidatos o desejo de vitória toma conta de seus atos e uma boa parte deles não medem consequências para atingir seus objetivos.

Passam a prometer coisas inexequíveis, se comprometem em realizar ações que fogem da competência do cargo pleiteado, mentem, falam mal de outras pessoas, dentre outras coisas que são facilmente perceptíveis. O processo de busca pelo poder transforma as pessoas.

Nos discursos dos atuais candidatos os feitos dos que os antecederam nunca prestam, são postos como um coisa ruim que passou por ali e muitos se colocam como se fossem a verdadeira salvação, a luz que irá tirar todos das trevas. Pura hipocrisia. Até mesmos nas eleições em universidades, onde se imagina que um conjunto de pessoas tidas como inteligentes deveriam apresentar propostas factíveis para todos os problemas vemos tais comportamentos. Assim, o que se pensar de eleições político partidárias onde envolvem cargos com remunerações elevadas e o controle de orçamentos vultuosos?

Um município ou um estado pode estar com suas finanças totalmente comprometidas, em condição de crise profunda, sem condições de pagar sequer salários, mas sempre terão muitos grupos políticos querendo assumir as funções de comando. Resta saber o porquê disto.

Sabem que não irão conseguir fazer quase nada, que poderão ter problemas legais com prestações de contas e com dívidas e decisões que serão tomadas, mas estão querendo o poder. O comportamento do ser humano é realmente muito difícil de ser compreendido.

Soma-se à vontade de pessoas assumirem o poder com as tendências ideológicas e daí a confusão está armada. Estamos presenciando isto na atualidade, onde os diversos grupos políticos e seus apoiadores apresentam seus pré-candidatos à presidência da República e aos governos estaduais. Candidaturas tidas como de esquerda e de direita estão sendo objeto de grandes discussões através das redes sociais. Mas não é o bom debate, são discussões encharcadas de tendências extremistas, posicionamentos agressivos que não aceitam o debate de ideias e nem o contraditório.

A intolerância tomou conta do cenário político brasileiro e temos que começar a nos preocuparmos com os possíveis enfrentamentos que surgirão nos próximos meses.

E pelo que tudo indica tais comportamentos estão fazendo parte de todos os processos de escolhas públicas que surgem pelo país afora. E, com certeza, irá acontecer nas próximas eleições municipais.

As pessoas que estão no poder lutam para se manter no poder, e aquelas que querem o poder lutam para conquistar o poder. E não medem consequências. No meio de tudo isto estão aqueles que não disputam nada, os eleitores, que serão fundamentais para se decidir quem estará no comando, mas que dificilmente terão suas vidas melhoradas por aqueles em que eles votarem. Por isto todos devem lembrar de que a virtude está no caminho do meio.

domingo, 6 de maio de 2018

De promessa em promessa


As informações podem ser apresentadas para a população de diversas formas. Pode-se apresentar uma notícia ruim como se fosse uma coisa boa e vice-versa, dependendo dos interesses envolvidos naquele momento. Isto é muito comum acontecer com as informações econômicas por parte de muitos governos.

Sempre que há a divulgação de alguma estatística os governos tratam de efetuar divulgações de notícias efetuando uma análise dos dados divulgados. Infelizmente os resultados econômicos obtidos pela economia brasileira nos últimos oito anos não foram muito bons e há a necessidade de se fazer uma leitura crítica destes resultados e buscar soluções de políticas econômicas para melhorar os cenários futuros. Daí a necessidade em se amenizar os impactos das notícias ruins para que não gere pânico entre a população em geral e se reduza a credibilidade nos agentes políticos.

Um do agregados econômicos que geram muita apreensão, tanto na população em geral quanto nos agentes políticos que possuem cargos ou funções nos executivos federal e estaduais, é o nível de emprego ou de desemprego. No ano de 2011 nosso país possuía 46,3 milhões de brasileiros empregados com carteira assinada, entretanto a crise fiscal e de confiança que nosso país enfrentou de lá para cá não conseguiu melhorar o cenário do mercado de trabalho: estima-se que o país possua atualmente, com dados de março deste ano, 46,1 milhões de trabalhadores empregados no mercado formal.

São 180 mil postos de trabalho a menos do que o total existente no início da década, um número preocupante se considerarmos que a cada ano aumenta o número de pessoas entrando em idade economicamente ativa e aumenta, também, o número de pessoas procurando emprego.

Os governos tentam amenizar os impactos dessas informações com notícias que apontam dados que estão melhorando, mas a realidade está posta: o desemprego está assombrando os brasileiros.

E o pior de tudo é que para se melhorar a conjuntura do mercado de trabalho a economia precisa crescer e para que a economia volte a crescer há a necessidade de se conter o déficit público e estabilizar a dívida pública. Mas nem o governo anterior e nem o atual conseguiram tais feitos e continuamos num processo de agravamento da situação econômica.

Mas, segundo o adágio popular, a esperança é a última que morre. Daí a população passa a depositar as suas esperanças nos próximos governantes. Sempre temos a expectativa de que o próximo governo sempre será melhor do que os anteriores e criamos um fluxo circular de expectativas que sempre redundam em desilusões. Se não bastasse isto parece que o eleitor mediano brasileiro sofre de amnésia e sempre se ilude com determinados personagens políticos e continuam a votar nos mesmos indivíduos.

Sempre em épocas de eleições os candidatos competem entre si fazendo promessas de soluções dos problemas da sociedade. E o pior é que uma boa parte da população acredita nestas promessas e votam neles, novamente. Não refletem sobre a possibilidade ou não de se cumprir o prometido. Na verdade, nem o político que fez o compromisso ou promessa tem convicção da possibilidade de se cumprir. Muitos deles sequer têm noção da real situação financeira do país ou do estado.

E assim continuaremos, de eleição em eleição, se permitindo enganar por políticos que passam pelo poder e nada fazem pela sociedade. Tem muitas pessoas que acreditam que “pior do que está não pode ficar”. Eu já acredito que pode piorar, sim. Basta analisarmos com mais senso crítico o perfil e as propostas dos pré-candidatos que surgem dia-a-dia, muito pouco eles têm a propor para a sociedade.

domingo, 29 de abril de 2018

O chão já se abriu

A impressão que a maioria das pessoas está tendo é de que os indicadores econômicos estão melhorando e o governo se esforça muito para tentar passar esta impressão. Mas a economia brasileira ainda está na UTI. Diante do cenário político de diversas denúncias de corrupção e conluios as políticas implementadas pelo governo federal não estão surtindo efeitos de melhora. Ninguém confia mais no governo Temer e aqueles que se colocam como pré-candidatos à presidência da República não entusiasmam o mercado financeiro.

O governo está paralisado. Não consegue reagir positivamente contra nenhum evento econômico. A taxa de desemprego atingiu 13,1% no trimestre de janeiro a março de 2018, maior taxa dos últimos 12 meses. Assim o país tem aproximadamente 13,7 milhões de desempregados. Este aumento do desemprego é resultado da baixa atividade da economia que no mês de fevereiro praticamente não cresceu e nos últimos 12 meses deve ter crescido somente 1,2%.

As expectativas de inflação para 2018 e 2019 estão abaixo da meta, o que está possibilitando a redução da Selic pelo Banco Central. Entretanto o cenário internacional não está ajudando: o banco central americano elevou a taxa de juros, sinalizando que poderá aumentar mais vezes ainda este ano e a União Europeia proibiu a importação de carne de frango de 20 frigoríficos brasileiros.

Aquelas pessoas mais “milibobocas” poderão dizer que isto não atrapalha o país porque afeta somente os lucros dos bancos e dos grandes empresários. Só que não. Com o aumento dos juros nos Estados Unidos poderá ocorrer um movimento de capitais para aquele mercado e o Brasil deverá interromper a sequência de redução na Selic, podendo até ocorrer aumentos, para conter a redução do investimento estrangeiro no país. Com isto todos nós pagamos o preço, pois o nível de atividade cai, gerando desemprego.

No caso das restrições de importação de carne de frango os frigoríficos relacionados na proibição voltam sua produção para o mercado interno, provocando choque de oferta e redução dos preços. Para evitar isto as empresas já deram férias para os funcionários com o objetivo de reduzir a oferta e provocar um aumento de preços para garantir margem de rentabilidade. Pagaremos mais caro pelo frango nosso de cada dia e se a restrição se mantiver por mais tempo ocorrerão demissões no setor, aumentando o desemprego.

Mais uma combinação explosiva de eventos econômicos que o governo federal não consegue abrandar seus efeitos pelo simples fato de não gozar nem de credibilidade por parte da sociedade e nem de apoio político suficiente no Congresso Nacional.

Se a atividade econômica não reagir, também cai a arrecadação tributária e se agrava a crise fiscal da União, dos estados e municípios. Com o aperto fiscal o nível de investimento público em 2017 foi o menor dos últimos 50 anos, pois muitos dos entes federados possuem um comprometimento muito alto de suas receitas com o pagamento de salários e encargos e não estão conseguindo suprir a sociedade nem com o mínimo de serviços públicos de qualidade.

O cenário é difícil e a missão que aguarda o novo presidente da República e os novos governadores dos estados não será nada fácil. Para desarmar esta bomba não poderemos ter no comando do país e dos estados aventureiros de prontidão e nem delinquentes políticos que sobrevivem à base de populismo, sem um mínimo de relação com a realidade prática do dia-a-dia da gestão pública. Infelizmente os cenários prováveis para os próximos anos em nosso país não são dos melhores. “A vaca já foi para o brejo”, ou seja, o chão já se abriu.