quarta-feira, 29 de junho de 2022

Otimismo moderado

Muitas pessoas podem não perceber, mas os servidores do Banco Central do Brasil (BCB) estão em greve. Muitos serviços estão descontinuados, dentre eles a divulgação do Relatório de Mercado com as expectativas dos principais agregados para o curto e médio prazo. É uma espécie de “apagão” estatístico que deixa parte dos agentes econômicos sem informações precisas para tomada de decisões.

Com a ausência das expectativas medianas do mercado, que deveriam ser divulgadas pelo BCB, quem necessitar destas informações para tomada de decisões e não possuir uma equipe ou profissional que efetue análise de conjuntura econômica poderá consultar as expectativas divulgadas por bancos, gestoras de recursos, empresas não-financeiras, consultorias, associações de classe, universidades, etc. É claro que há divergências metodológicas entre estas instituições e o analista deverá ser prudente na utilização das informações.

Estamos num momento muito delicado da economia mundial e nosso país não é imune a isto. Se não bastasse o cenário global ainda temos nossas especificidades que podem amenizar ou agravar o quadro interno. Neste caso em particular temos que considerar o desempenho do governo federal, a eficácia de sua política econômica, a responsabilidade fiscal e as sinalizações de ações efetivas para enfrentamento de eventos adversos que redundam na confiança dos agentes econômicos em relação ao governo.

Se a confiança diminui há um aumento do risco-país e isto é precificado, ou seja, aumenta o custo do investimento no país. Os juros aumentam e se inicia um processo em cadeia, uma espiral, que desacelera o nível de atividade, aumenta o desemprego e reduz a massa salarial. Se a confiança aumenta, o efeito é inverso.

A economia mundial deu sinais de recuperação e ocorreu um aquecimento com o processo de retomada após a pandemia. Só que isto veio acompanhado de um choque de demanda que elevou os preços globais, principalmente de alimentos e energia. A inflação disparou no mundo todo e a forma de combate utilizada é com aumento dos juros básicos. Com os movimentos recentes dos bancos centrais o crescimento sofreu uma desaceleração e já há rumores de um novo ciclo recessivo nos Estados Unidos.

É pouco provável que os americanos tenham uma nova recessão, mas o que é certo é que seu crescimento econômico para 2022 e 2023 será bem menor do que o projetado no início deste ano. Com isto, as demais economias do globo também serão afetadas e as projeções para o crescimento do PIB mundial reduziram em 1,2 ponto percentual, na média, em junho com relação às projeções de janeiro. Isto, segundo dados do Banco Mundial.

O Brasil irá crescer em torno de 1,5% neste ano. Uma previsão boa, considerando as questões locais. Por mais que o governo não apresente soluções ideais, iremos crescer. Entretanto, para os próximos quatro anos as expectativas não são boas. Para 2023 é projetado um crescimento inferior a 0,5% por conta das medidas de política fiscal que estão sendo tomadas neste ano. Elas geram incertezas quanto ao equilíbrio das contas públicas para os anos seguintes.

Estas expectativas apontam para uma moderação do investimento no setor produtivo o que retarda o ritmo de contratações no mercado de trabalho. As projeções são de aumento do desemprego nos anos de 2023 e 2024.

Temos um cenário atual de aumento da vulnerabilidade social que deverá ser agravado nos próximos anos por conta de uma tentativa política de gerar uma sensação de bem estar às vésperas das eleições. Teremos mais turbulência à frente.

 

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